quarta-feira, 25 de abril de 2007

Músculos estimulam sentimentos

Folheando o livro "O Erro de Descartes - Emoção, Razão e o Cérebro Humano", de Antônio R. Damásio, me deparei um um trecho interessante no capítulo sobre Emoções e sentimentos.

Neste capítulo, Damásio relata as experiências de Paul Ekman, que instruiu indivíduos normais a compor, movendo os músculos da face, uma expressão emocional específica. Na experiência, os indivíduos experimentavam um sentimento correspondente a expressão que compunham. Se a expressão era de felicidade então sentiam "felicidade", se de raiva, sentiam "raiva".

Os indivíduos do experimento, tinham consciência que não havia nenhum motivo para sentir-se felizes ou com raiva e a intensidade do sentimento não correspondia a de uma situação real.

Ekman, propôs com este experimento, que uma expressão corporal forjada desencadeia outros sinais que nos leva a experimentar o sentimentos idênticos aos de causa espontânea.

Pessoalmente acredito que ocorre é que o corpo está sujeito a um condicionamento operante. "O condicionamento operante é composto por um estímulo seguido por um comportamento que dará um resultado que, a partir de então, definirá a freqüência daquele comportamento."

Neste caso o estímulo seria a causa verdadeira e original que provoca o sentimento; o comportamento seriam as reações do corpo (aqui incluído a composição da expressão facial); e finalmente a experimentação do sentimento correspondente - resultado (felicidade, tristeza, medo...).

Penso que o corpo é "enganado"! Pulamos a etapa do estímulo indo direto para o comportamento que provoca o resultado. Neste caso o comportamento (expressão facial) torna-se estímulo para o sentimento, mas por não ser autêntico, com o tempo perderia seu efeito por falta de reforço.

De qualquer forma acho que vale a pena mudar nossa postura, nossa composição corporal e/ou facial de modo a experimentar, mesmo que com menor intensidade, um bom sentimento, algo que nos "levante o astral"!

Finalizo este artigo com uma tira bem humorada, onde o personagem Minduim fala sobre a postura corporal e suas conseqüências.

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