Mas nossa cidade, Brasília, já foi elogiada várias vezes como símbolo de respeito à faixa. Mas o que tem acontecido ultimamente é que o número de mortes nas faixas de pedestre praticamente dobraram.
Atribuo este aumento dois fatores principais, ou três, para ser mais exato. O primeiro diz respeito ao significativo aumento do número de faixas no DF, que passaram de aproximadamente 300, há dez anos, para cerca de 4000 hoje em dia.
O segundo fator se dá pelo título desta "postagem". O abuso de direito! Lembro como era impressionante ver a demonstração de civilidade presente nos motoristas, que ao avistarem um pedestre próximo à faixa já ligavam seus "pisca-alerta", acenavam com a mão pela janela pedindo a redução de velocidade dos demais carros e esperavam, pacientemente, pelo caminhar despreocupado do transeunte até a outra margem da via.
Com o tempo, acho que os humildes pedestres sentiram-se poderosos, e viram naquela oportunidade um meio de sentirem-se importantes. Aqui deixo um breve parêntese sobre a concepção de Dale Carnegie, que afirma em seu livro "Como fazer amigos e influenciar pessoas", a necessidade primordial dos indivíduos sentirem-se "importantes e valorizados".
Bem, o que percebi em seguida foi um certo abuso dos pedestres, que para satisfazer o seu ego ou simplesmente por puro egoísmo, paravam (modestamente) uma fila de 15 carros, por aproximadamente 12 segundos, sendo se esperasse certa de 5 segundo a beira da via poderia passar sem parar carro nenhum. Sem falar que deslocavam-se apressadamente sobre o passeio (calçada) e sem qualquer sinalização, atiravam-se sobre a faixa provocando freiadas bruscas e pequenas derrapagens. Quando ouvia algum pneu "cantar"... hummm paravam de andar, franziam a sobrancelhas e encaravam o motorista como se dissessem: "Quer me constringir ou ameaçar? Vou processá-lo seu infame!!!"
Desse cenário brotou o terceiro motivo para o aumento dos atropelamentos em Brasília. Motoristas agora passaram a ignorar os pedestres. Revoltaram-se! É preciso que o pedestre realmente dê sinal de vida! Acene, grite!
Aqueles que não acreditam, não perceberam ou não aceitaram esta última mudança, continuam arriscando-se nas faixas, atirando-se a frente dos carros como se de fato pudessem pará-los!
De quem é a culpa? Todos têm sua parcela! Falhou o Estado ao impor punição ao motorista no descumprimento de seu dever mas não educou o pedestre para o exercício de seu direito. Falhou o bom senso do pedestre! Falhou a paciência dos motoristas, que agora faz com que estes descumpram deliberadamente a lei!
Solução para tudo isto! Como muitos outros problemas neste país, a cura está na educação e na cultura do povo. Sem isso campanhas serão apenas dinheiro gasto para uma mudança de comportamento muito superficial e transitória.
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